O mercado de e-mobilidade do Brasil se desenvolve em condições que diferem da maioria das outras regiões em crescimento – e, ao mesmo tempo, dita o ritmo da e-mobilidade como o maior mercado automobilístico da América Latina. O País combina um dos sistemas elétricos mais limpos do mundo, o que confere à mobilidade elétrica uma vantagem de descarbonização particularmente forte, com um ecossistema consolidado de etanol e combustível flex.
Ao mesmo tempo, o Brasil não segue uma trajetória puramente elétrica a bateria. Em vez disso, veículos elétricos a bateria, híbridos plug-in e híbridos convencionais estão se expandindo paralelamente às tecnologias baseadas em biocombustíveis. Isso torna o Brasil um dos mercados de transição mais diferenciados na e-mobilidade global.
O mercado de veículos eletrificados apresentou crescimento significativo recentemente: a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) registrou 223.912 veículos leves eletrificados vendidos em 2025, contra 177.358 em 2024. Sua participação nas vendas totais de veículos leves chegou a 9%, enquanto o mercado geral de veículos leves cresceu apenas 2,6%. Isso demonstra que a mobilidade eletrificada está se expandindo muito mais rápido que o mercado como um todo.
Um fator determinante desse crescimento foi a maior disponibilidade de veículos importados, especialmente da China. Marcas chinesas representaram 85% das vendas de veículos elétricos no Brasil em 2024, ajudando a reduzir a diferença de preço entre carros elétricos a bateria e veículos convencionais. Ao mesmo tempo, o governo busca combinar crescimento de mercado com desenvolvimento industrial. Tarifas de importação sobre carros elétricos foram reintroduzidas em 2024 a 10% e devem subir gradualmente para 35% até meados de 2026. Em paralelo, o Programa de Mobilidade Verde e Inovação MOVER visa fortalecer a produção local, a inovação e o investimento em tecnologias veiculares mais limpas.
A infraestrutura de recarga também está se expandindo, mas permanece distribuída de forma desigual e fortemente concentrada em regiões economicamente mais fortes, especialmente São Paulo, onde estão localizados 30% de toda a infraestrutura de recarga, segundo a EPE. A ABVE informa que, até fevereiro de 2026, o Brasil contava com 21.061 pontos de recarga públicos e semipúblicos, incluindo 6.479 carregadores rápidos de corrente contínua, com o segmento de recarga rápida crescendo 167% em relação ao ano anterior.
O transporte público e as aplicações de frotas estão entre os segmentos mais promissores para a eletrificação no Brasil. São Paulo lidera esse desenvolvimento na eletrificação de ônibus e ultrapassou 1.000 ônibus de emissão zero em sua frota municipal em 2025, atingindo 1.009 veículos. Além disso, o governo federal destinou recursos significativos para a renovação de frotas por meio do Novo PAC.
No transporte de cargas, a eletrificação avança com mais cautela. O International Council on Clean Transportation registrou 480 vendas de caminhões elétricos no Brasil em 2024, concentradas principalmente nos segmentos leves e médios. Isso sugere que a logística urbana e as entregas regionais são atualmente os casos de uso mais viáveis, enquanto o transporte pesado de longa distância ainda enfrenta barreiras mais fortes de custo e infraestrutura.
O potencial de longo prazo do Brasil para a e-mobilidade é substancial. Segundo a EPE, a demanda de eletricidade por veículos elétricos pode subir de 627 gigawatt-hora em 2025 para 7,8 terawatt-hora em 2035.
De modo geral, o ambiente do mercado brasileiro é atualmente moldado por forte crescimento, importações chinesas, política industrial, expansão das redes de recarga e a coexistência da mobilidade elétrica a bateria com tecnologias híbridas e flex. Essa combinação faz do Brasil um mercado com seu próprio modelo de transição altamente específico.