O Mercado Brasileiro de Armazenamento de Energia – Tendência se Acelera à Frente da Regulamentação

Notícias do setor – 26 de maio de 2026

O mercado brasileiro de armazenamento em baterias está em transição entre as primeiras implantações e uma fase de expansão, embora o país ainda careça de um marco regulatório favorável. A capacidade instalada de armazenamento triplicou entre 2023 e 2024 e, embora o total ainda seja inferior a 1 gigawatt-hora (GWh), os sinais de crescimento são claros, segundo a consultoria de energia Greener. A maior parte das instalações ainda se concentra em sistemas isolados, representando 70% da capacidade total instalada, predominantemente na região amazônica. No entanto, cresce o uso comercial e industrial (C&I) e de outras aplicações de consumo interno, à medida que empresas e consumidores buscam maior confiabilidade e redução nos custos de energia.

A evolução do mercado é mensurável: a Greener relata que, em 2024, o Brasil acumulava 685 megawatt-hora (MWh) de capacidade instalada de armazenamento, com 269 MWh adicionados em um único ano – 2024 – representando um aumento de 29% em relação a 2023. Outros 167 MWh foram instalados no primeiro semestre de 2025, elevando o total a 852 MWh. As instalações de grande porte agora dependem de políticas públicas. O primeiro leilão de capacidade de reserva em baterias, inicialmente previsto para 2025, deverá ser realizado em 2026, após o Ministério de Minas e Energia abrir o leilão à consulta pública.

O interesse do setor é substancial: a entidade de armazenamento ABSAE informa que projetos representando cerca de 18 GW de armazenamento já estão prontos para inscrição no leilão. Estima, ainda, que a contratação de 2 GW pode destravar cerca de R$ 10 bilhões em investimentos. A ABSAE aponta um potencial de investimento de mais de R$ 44 bilhões até 2030 no setor brasileiro de armazenamento em baterias.

Potencial e desafios

A economia vem se fortalecendo e o preço médio das baterias vem caindo. Em paralelo, as altas tarifas de eletricidade no Brasil tornam atraentes os processos de gestão de carga e redução de picos. As limitações na capacidade de transmissão são outro fator que impulsiona a implementação de baterias no mercado elétrico brasileiro. No entanto, a falta de regulamentação sobre licenciamento, uso da rede e remuneração por serviços (arbitragem, capacidade e serviços auxiliares) ainda atrasa decisões de investimento.

O ambiente emergente de produção de baterias no Brasil também pode estimular aplicações de grande porte. A BYD produz baterias de lítio-fosfato em Manaus desde 2017, e vários outros fabricantes chineses estão considerando estratégias para entrar nesse mercado.

O Nordeste brasileiro surge como um polo estratégico de hidrogênio verde. Segundo a plataforma industrial Ceará H2V, projetos solares de vários gigawatts terão ligação com futuros terminais exportadores, como Pecém e Suape. A BloombergNEF prevê que o Brasil pode alcançar uma capacidade de produção de 3,8 GW até 2030, reduzindo os custos para US$ 1,45/kg.

  • A usina híbrida FV-BESS Noronha Verde, em Pernambuco, integra 49 MWh de BESS a 22 MWp de capacidade solar fotovoltaica. A primeira fase do projeto, desenvolvido pela Neoenergia, deve entrar em operação em 2026, com investimento total de R$ 350 milhões.

  • A Petrobras está construindo o primeiro projeto piloto de hidrogênio verde no Rio Grande do Norte, com previsão de operação em 2026. O investimento total é de R$ 90 milhões.

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